MPSC DENUNCIA GRUPO POR SUPOSTO ESQUEMA DE R$ 113 MILHÕES EM CONTRATOS DE COLETA DE LIXO EM SC
- Jun 25
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Investigação da Operação DNA do Crime aponta lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e participação de empresários, familiares, agentes públicos e uma advogada; denunciados foram notificados para apresentar defesa.
O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) denunciou à Justiça um grupo investigado por supostamente operar um esquema milionário envolvendo contratos públicos de coleta de lixo em municípios catarinenses. Segundo a acusação, a organização teria movimentado mais de R$ 113 milhões ao longo dos últimos anos por meio de empresas ligadas ao setor, utilizando mecanismos para ocultar a origem dos recursos e esconder patrimônio. Os denunciados já foram notificados para apresentar defesa.
A denúncia faz parte dos desdobramentos da Operação DNA do Crime, deflagrada em junho deste ano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco). A investigação é considerada uma extensão da Operação Mensageiro, que apura irregularidades em contratos públicos de coleta de lixo em Santa Catarina.
De acordo com o Ministério Público, o núcleo investigado teria atuado de forma estruturada e familiar, com integrantes ocupando diferentes funções dentro de empresas utilizadas para movimentação financeira e aquisição de bens. A empresária Schirle Scottini é apontada como a principal liderança do grupo.
Segundo os investigadores, a empresa SAAY'S Soluções Ambientais, antiga Say Müller, teria sido a principal fonte de recursos da organização. Dados anexados ao processo indicam que a companhia recebeu mais de R$ 113 milhões em contratos com órgãos públicos entre 2016 e 2025. Parte desses contratos está sob suspeita de ter sido utilizada para alimentar um sistema de lavagem de dinheiro.
A acusação sustenta que empresas ligadas ao mesmo grupo familiar teriam sido utilizadas para transferências financeiras, aquisição de veículos e imóveis e operações consideradas incompatíveis com a realidade econômica declarada pelos envolvidos. Entre os bens identificados estão apartamentos de alto padrão, caminhões, utilitários esportivos e outros ativos avaliados em milhões de reais.
Os promotores também apontam indícios de que houve tentativas de esvaziamento patrimonial pouco antes do cumprimento dos mandados judiciais. Veículos teriam sido transferidos para empresas vinculadas a familiares, enquanto outros bens foram localizados em posse de investigados, embora registrados em nome de terceiros.
Suspeita de vazamento da operação
Outro ponto destacado na denúncia envolve a suposta divulgação antecipada de informações sigilosas sobre a operação policial. Uma advogada que acompanhava o cumprimento de mandados relacionados a outra profissional da área passou a ser investigada após surgirem indícios de que informações reservadas teriam chegado aos integrantes do grupo.
Mensagens encontradas durante a investigação e anotações apreendidas pelos agentes reforçaram a suspeita de que os investigados teriam sido alertados previamente sobre a ação policial. O Ministério Público afirma que essa comunicação permitiu movimentações consideradas suspeitas às vésperas da operação.
A advogada chegou a ser presa preventivamente sob acusação de embaraçar investigação relacionada a organização criminosa. Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça substituiu a prisão por medidas cautelares enquanto o caso segue em análise.
Operação do MPSC e bloqueio de bens
Durante a Operação DNA do Crime, foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e do Paraná. As medidas incluíram o bloqueio de imóveis, indisponibilidade de recursos financeiros e apreensão de dezenas de veículos.
O objetivo, segundo o Ministério Público, é impedir a dissipação de patrimônio e buscar eventual ressarcimento aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas ao final do processo.
Com o recebimento da denúncia pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, os investigados terão a oportunidade de apresentar defesa. A apuração segue em andamento e deverá aprofundar a análise sobre a origem dos recursos movimentados pelo grupo, a participação individual de cada denunciado e os possíveis prejuízos causados à administração pública. Até o julgamento definitivo, todos os envolvidos permanecem amparados pelo princípio constitucional da presunção de inocência.
Informações: MPSC.











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