ADVOGADA DE BLUMENAU É PRESA SUSPEITA DE VAZAR INFORMAÇÕES SIGILOSAS DE OPERAÇÃO
- Jun 3
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Uma advogada criminalista de Blumenau, no Vale do Itajaí, foi presa preventivamente na noite desta terça-feira (2) sob suspeita de repassar informações sigilosas sobre a operação "DNA do Crime", desdobramento da Operação Mensageiro, que investiga possíveis casos de enriquecimento ilícito envolvendo empresários ligados a contratos públicos e licitações em Santa Catarina.
A prisão ocorreu enquanto a profissional acompanhava o cumprimento de mandados de busca e apreensão na cidade. Segundo a investigação, foram encontrados indícios de troca de mensagens entre a advogada e uma das investigadas, indicando possível compartilhamento de informações sobre os próximos passos da operação.
Inicialmente detida em flagrante, a suspeita teve a prisão convertida em preventiva pela Justiça, sem aplicação de medidas cautelares alternativas. Ela é investigada pelo crime de impedir ou embaraçar investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013.
Após a prisão, a advogada foi encaminhada ao Presídio Feminino de Blumenau.
Anotações encontradas durante buscas levantaram suspeitas
De acordo com informações do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), um caderno contendo anotações relacionadas à Operação Mensageiro foi encontrado dentro do veículo de uma das investigadas durante o cumprimento dos mandados.
Entre os registros, havia uma anotação que indicaria um alerta prévio sobre a ação policial:
"Veio me avisar que amanhã tem OP GAE de Joinv. em Blu".
Para a Justiça, o conteúdo sugere que a investigada teria sido informada antecipadamente sobre a operação.
As apurações também apontam que as informações teriam sido repassadas por meios considerados não convencionais, com o objetivo de dificultar eventual rastreamento das comunicações.
Outra mensagem encontrada dizia:
"Ela não recebeu nenhuma informação por meio da OAB, provavelmente não é com a gente, comigo especificamente".
Segundo a investigação, após receber as informações, a investigada teria alterado seus planos e seguido para Itajaí. A menção a "pessoas comuns" nas mensagens também chamou a atenção das autoridades, que passaram a avaliar o alcance do compartilhamento das informações.
Advogada negou irregularidades
Durante depoimento ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a advogada negou ter cometido qualquer irregularidade.
Segundo a versão apresentada por ela, havia tomado conhecimento apenas da existência genérica da operação um dia antes da deflagração, sem saber detalhes sobre os alvos ou a natureza da ação.
A defesa também afirmou que o contato mantido com a investigada ocorria por meio de mensagens e videochamadas relacionadas exclusivamente a questões processuais.
A advogada declarou ainda que apenas passou a suspeitar de uma possível ligação da operação com a investigada ao perceber que os mandados estavam sendo cumpridos na mesma região.
Investigada afirma que relação era profissional
A investigada citada na apuração também foi ouvida. Em depoimento ao MPSC, ela afirmou não se recordar do conteúdo ou da finalidade específica das anotações encontradas.
Segundo seu relato, não teve acesso direto ao material e mantém apenas uma relação profissional com a advogada presa.
As declarações prestadas pelas duas serão analisadas pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. A investigação continua em andamento.
Caso a prática criminosa seja confirmada, a pena prevista pode chegar a oito anos de prisão, além de multa.
Fonte: ND+.











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