CÂMARA APROVA CASSAÇÃO DE VEREADOR INVESTIGADO POR SUSPEITA DE RACHADINHA
- Aug 21
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O Vereador perdeu o mandato após votação no plenário. Parlamentar é investigado por suspeita de exigir parte do salário de uma servidora comissionada e nega irregularidades.
A Câmara Municipal de Curitiba aprovou, nesta quinta-feira (20), a cassação do mandato do vereador Lórens Nogueira (PP), investigado em um caso envolvendo suspeita de rachadinha.
A decisão foi tomada durante uma sessão especial com a participação de 32 dos 38 vereadores. Após a análise do processo por quebra de decoro parlamentar, o plenário decidiu pela aplicação da penalidade máxima.
Na votação sobre a punição, 30 vereadores se manifestaram pela cassação. O próprio Lórens Nogueira votou pela aplicação de uma suspensão de 120 dias como alternativa à perda do mandato.
O processo teve origem em uma investigação que apura a suspeita de que o parlamentar teria exigido parte da remuneração de uma servidora comissionada ligada a uma indicação sua no Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR).
Vídeo mostrou entrega de dinheiro
Um dos principais elementos do caso é uma gravação na qual o vereador aparece recebendo R$ 5,6 mil em dinheiro vivo de uma servidora. O registro foi realizado com autorização judicial, a pedido do Ministério Público.
Além do processo político-administrativo na Câmara, Lórens Nogueira responde criminalmente por concussão, crime que envolve a suposta exigência de vantagem indevida por um agente público em razão do cargo.
A Comissão Processante da Câmara, responsável por analisar a denúncia, concluiu que havia elementos suficientes para recomendar a cassação do mandato.
Antes da decisão definitiva dos vereadores, Lórens chegou a ser afastado cautelarmente da função por determinação judicial durante 90 dias. Posteriormente, a medida foi suspensa.
Vereador diz que valor era pagamento de empréstimo
Lórens Nogueira contesta as acusações. Segundo a versão apresentada por ele, os R$ 5,6 mil recebidos da servidora seriam parte da devolução de um empréstimo de R$ 12 mil feito anteriormente em dinheiro.
Após a votação, a defesa do vereador classificou a cassação como uma decisão de natureza política e afirmou que as provas produzidas durante o processo não justificariam a perda do mandato.
Em nota, o advogado Jefferson Costa Vilela Pereira, responsável pela defesa, informou que pretende buscar a reversão da decisão na Justiça e afirmou confiar na recuperação do mandato do parlamentar.
Servidora relatou pressão para entregar dinheiro
A servidora envolvida no caso afirmou ao Ministério Público que teria sido pressionada a repassar parte de sua remuneração ao vereador.
Segundo o depoimento, houve momentos em que ela precisou recorrer à família e contratar empréstimos para conseguir reunir o valor que, segundo sua versão, deveria ser entregue ao parlamentar.
Ela relatou que, em determinada ocasião, teve um prazo curto para conseguir aproximadamente R$ 6 mil depois de enfrentar problemas financeiros e bloqueios bancários.
A servidora também declarou que realizava atividades relacionadas ao instituto presidido por Nogueira, inclusive fora do horário convencional de trabalho, aos fins de semana e em feriados. De acordo com o relato, despesas como transporte e alimentação nem sempre eram custeadas.
Operação do Gaeco deu início à crise política
O caso ganhou força no fim de maio, quando Lórens Nogueira foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em locais ligados ao vereador. Durante as diligências, os investigadores encontraram, segundo as informações da investigação, cerca de R$ 70 mil em espécie dentro de uma mala e outros R$ 12 mil distribuídos em envelopes guardados em uma mochila.
Na época, Lórens Nogueira ocupava a presidência do Conselho de Ética da Câmara Municipal de Curitiba. Após a repercussão da investigação, ele deixou a função.
No depoimento prestado ao Ministério Público, o vereador afirmou que o dinheiro encontrado seria resultado de economias acumuladas ao longo dos anos. Segundo ele, sua atuação profissional como assessor político, iniciada em 2015, teria possibilitado a formação da reserva financeira.
Com a aprovação da cassação pelo plenário, o caso passa a ter novos desdobramentos políticos e jurídicos. A defesa do agora ex-vereador afirma que pretende recorrer ao Judiciário.











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