BLUMENAU AMARGA POSIÇÃO 68 NO RANKING DO SANEAMENTO 2026 E EXPÕE ATRASO HISTÓRICO
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Blumenau está na 68ª colocação entre os 100 maiores municípios do Brasil no Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados. O resultado, baseado nos dados mais recentes do SINISA (ano-base 2024) do Ministério das Cidades, é um atestado de mediocridade para uma cidade que se vende como padrão europeu de organização e qualidade de vida.
O levantamento, em sua 18ª edição, escancara o abismo do país: mais de 30 milhões de brasileiros ainda sem água potável e 90 milhões — 43,3% da população — sem coleta de esgoto.
O retrato do Brasil
A edição de 2026 mostra avanço lento e desigual:
1. Topo universalizado: Pela primeira vez, os quatro primeiros colocados empataram com nota máxima. Franca (SP) lidera, seguida por São José do Rio Preto (SP), Campinas (SP) e Santos (SP). Todos já universalizaram água e esgoto e cumprem a meta de perdas abaixo de 25% da Portaria nº 490/2021.
2. Fundo do poço: Os piores são Santarém (PA), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Várzea Grande (MT) e Parauapebas (PA). Apenas 3,28% de Santarém tem coleta de esgoto.
3. A diferença brutal: Os 20 melhores têm 98,08% de coleta de esgoto, contra 28,06% dos 20 piores — 70 pontos de diferença. No tratamento de esgoto, 77,97% contra 28,36%.
4. Investimento insuficiente: É o ponto central do estudo. 51 dos 100 municípios investem menos de R$ 100 por habitante por ano em 2024. A média nacional dos 100 foi de R$ 135,89 por habitante, muito abaixo dos R$ 225 por habitante que o PLANSAB calcula como necessário para universalizar até 2033, prazo do Marco Legal.
Os 20 piores investem, em média entre 2020 e 2024, apenas R$ 77,58 por habitante — 66% abaixo do necessário e 56% abaixo dos R$ 176,17 dos 20 melhores.
O maior investidor per capita em 2024 foi Praia Grande (SP), com R$ 572,87. O menor foi Rio Branco (AC), com R$ 8,99.
5. Água e perdas: A média de atendimento de água nos 100 municípios caiu de 93,91% para 93,55%. 28 cidades universalizaram água. Já a média de perdas na distribuição foi de 41,51% — ainda acima dos 39,5% da média nacional, e muito acima da meta de 25%. Apenas 20 cidades cumprem a meta. Goiânia tem só 11,45% de perdas.
Como resumiu a presidente do Trata Brasil, Luana Siewert Pretto: “o tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização e segue como o principal desafio”.
E Blumenau?
Estar em 68º lugar entre 100 não é estar no meio. É estar no terço final, atrás de capitais como Florianópolis e de cidades catarinenses menores.
A crítica é inevitável por três motivos:
1. Coleta de esgoto ainda é vergonha. Enquanto o Brasil discute universalização até 2033, Blumenau demorou mais de uma década para sair dos 5% de tratamento que tinha em 2010. Mesmo com evolução — dados do SAMAE apontam hoje cerca de 48% a 55% de cobertura de coleta e tratamento, dependendo do bairro — a cidade continua longe dos 90% que o Marco Legal exige para ser considerada universalizada. No ranking, 40 municípios já superaram 90% de coleta.
2. Cidade rica com investimento pobre. Blumenau tem um dos maiores PIBs de Santa Catarina e arrecadação robusta. Se 51 cidades no Brasil investem menos de R$ 100 por habitante, é de se perguntar em qual lado da linha Blumenau se enquadra. O modelo municipalizado via SAMAE, que por anos foi usado como justificativa de eficiência, não se traduziu em aceleração de obras. O investimento médio per capita do município está historicamente abaixo de Florianópolis, Joinville e Balneário Camboriú.
3. Perdas são boas, esgoto é péssimo. Paradoxalmente, Blumenau sempre foi destaque nacional em baixa perda de água — cerca de 16,38%, entre os melhores do país segundo o próprio Trata Brasil. Ou seja, sabe cuidar da água que distribui, mas falha em recolher e tratar o que suja. É um saneamento pela metade.
Ficar em 68º é o reflexo de escolhas políticas. Enquanto Limeira (SP) e Franca (SP) — também com autarquias municipais — chegaram ao topo porque planejaram e investiram continuamente, Blumenau postergou ETEs estruturantes como a ETE Garcia, ETE Itoupava e a ampliação da ETE Fortaleza, além da rede separadora que ainda não cobre bairros inteiros do Badenfurt, Velha e Vila Itoupava.
Para uma cidade que sofreu enchentes históricas e sabe o que é ter o rio Itajaí-Açu poluído, estar atrás de 67 municípios em saneamento não é apenas estatística. É risco sanitário, desvalorização imobiliária e perda de atratividade econômica.
O Ranking 2026 deixa o recado: não há universalização sem dinheiro. E Blumenau, se quiser sair da rabeira e cumprir o Marco até 2033, vai precisar investir muito mais que R$ 225 por habitante por ano — e com muito mais velocidade do que nos últimos 15 anos.
Dados: Instituto Trata Brasil.











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