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BLUMENAU DEBAIXO D'ÁGUA E O PREFEITO NO STORIES: A GESTÃO QUE DESCOBRIU QUE O RIO ENCHE

  • 4 days ago
  • 3 min read
BLUMENAU DEBAIXO D'ÁGUA E O PREFEITO NO STORIES: A GESTÃO QUE DESCOBRIU QUE O RIO ENCHE

Blumenau amanheceu, mais uma vez, com o mesmo problema de sempre: alagamentos. E a Prefeitura, mais uma vez, fazendo aquilo que tem feito de melhor: nada de preventivo e tudo de performático.

Enquanto ribeirões transbordavam, ruas viravam rios e famílias tiravam água da sala com balde, o prefeito de Blumenau, Egídio Ferrari (PL), surgiu nas redes sociais com a grande novidade do século: o rio subiu, as ruas alagaram e, se houver deslizamento, ligue para a emergência.

Obrigado, prefeito. Sem esse aviso, a população jamais imaginaria que quando chove muito em Blumenau, alaga. É quase um serviço de meteorologia de alto nível.


O "garoto do tempo" de Blumenau


BLUMENAU DEBAIXO D'ÁGUA E O PREFEITO NO STORIES: A GESTÃO QUE DESCOBRIU QUE O RIO ENCHE
Cerimônia marca posse do Secretário da Defesa Civil (Foto: nd+).

A cena já é clássica. Chove forte. A Defesa Civil manda um alerta genérico no celular. E o prefeito aparece de colete laranja, ou no gabinete com mapa atrás, para falar o óbvio com cara de preocupação profunda. Virou um influencer do caos. O problema é que influencer não draga ribeirão, não desassoreia rio, não limpa boca de lobo.

A gestão parece ter trocado o plano de macrodrenagem por um plano de conteúdo. É Reels explicando que está chovendo, é story dizendo "estamos monitorando". Monitorar o desastre não é evitar o desastre. É só assistir em HD enquanto a cidade afunda.

Blumenau convive com enchentes há 170 anos. Não é surpresa, não é evento atípico, não é "chuva fora de época". É previsível. E o que é previsível se previne.


A Defesa Civil que só aparece depois


BLUMENAU DEBAIXO D'ÁGUA E O PREFEITO NO STORIES: A GESTÃO QUE DESCOBRIU QUE O RIO ENCHE
Rua Walter Berner, bairro Boa Vista, desde 2023 sem solução (Foto: PMB).

A Defesa Civil de Blumenau se tornou especialista em uma coisa: reação. Alerta de risco, interdição depois que a encosta caiu, abrigo depois que a família já perdeu tudo.

Prevenção? Onde está o cronograma público e permanente de limpeza e desassoreamento dos ribeirões Garcia, Velha, Fortaleza e Itoupava? Onde está o mapeamento com obras de contenção efetiva nas encostas mais críticas, e não só lona preta? Onde está a política séria de uso do solo para parar de autorizar construção onde a água sempre passou?

Limpar galeria e caixa de captação não rende corte bonito no Instagram, mas evita que um bairro inteiro fique ilhado. Outras cidades entenderam isso.


Quando a prefeitura trabalha de verdade, funciona. Veja:


Não precisa inventar a roda. Precisa copiar quem fez a lição de casa:


1. Curitiba (PR) - Parques que seguram a água: Em vez de brigar com o rio, Curitiba fez o rio trabalhar a favor dela. O Parque Barigui foi planejado justamente após enchentes do Rio Barigui, com um lago enorme que contém as inundações. Hoje a cidade investe R$ 480 milhões em prevenção e tem um programa cotidiano de limpeza de galerias e caixas de captação como ação essencial contra alagamentos. O foco é incluir soluções baseadas na natureza para combater enchentes e alagamentos.


BLUMENAU DEBAIXO D'ÁGUA E O PREFEITO NO STORIES: A GESTÃO QUE DESCOBRIU QUE O RIO ENCHE
Reserva Hídrica do Futuro, em Curitiba (Foto: Pedro Ribas/SMCS).

2. Santos (SP) - Morro não precisa matar: Cidade litorânea, vulnerável como Blumenau, mas com Plano Municipal de Mudanças Climáticas e projetos de Adaptação baseada em Ecossistemas para recuperar Mata Atlântica e conter deslizamentos. Lá, prevenção de encosta não é lona, é obra e reflorestamento.


3. Niterói e Belo Horizonte adotaram parques alagáveis, jardins de chuva e calçadas permeáveis. Políticas que Curitiba e Belém já implementaram com resultados positivos na prevenção de tragédias urbanas.


Blumenau? A gente tem o AlertaBlu que avisa que vai alagar. É o equivalente a te avisar que vai levar um soco, mas não tirar a mão da frente.


A cidade dissolve, o feed cresce


BLUMENAU DEBAIXO D'ÁGUA E O PREFEITO NO STORIES: A GESTÃO QUE DESCOBRIU QUE O RIO ENCHE
Deslizamento registrado em Blumenau, na manhã desta segunda, 31 (Foto nd+).

A ironia é cruel: Blumenau é uma das cidades que mais entende de enchente no Brasil e, mesmo assim, parece sempre pega de surpresa. A gestão atual trocou a pá carregadeira pelo tripé de celular.

Enquanto Egídio Ferrari tenta ser o "garoto do tempo" mais bem vestido da região, com boletins que qualquer morador faria olhando pela janela, os ribeirões continuam assoreados, as galerias entupidas e a população com o mesmo roteiro: perde móvel, limpa lama, ouve promessa e espera a próxima chuva.

Sarcasmo à parte, não é falta de aviso da natureza. É falta de trabalho decente entre uma chuva e outra. Porque avisar que o rio encheu, prefeito, até o tio do bar da esquina avisa. De graça. E sem precisar de assessoria de imprensa.

Fica a sugestão para o próximo story: menos filtro de preocupação e mais filtro de contenção.

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