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OPERAÇÃO SENTINELA: O CONTRATO CRIADO PARA PROTEGER CRIANÇAS QUE VIROU ALVO DO GAECO

Oct 7
4 min read
OPERAÇÃO SENTINELA: O CONTRATO CRIADO PARA PROTEGER CRIANÇAS QUE VIROU ALVO DO GAECO

Segurança nas escolas foi reforçada após a tragédia do Cantinho Bom Pastor, mas contratação milionária realizada durante o governo Mário Hildebrandt entrou na mira de investigação que apura suspeitas de fraude, direcionamento e corrupção.


O que deveria representar uma resposta à maior tragédia recente da educação de Blumenau acabou se tornando parte de uma investigação criminal.

A Operação Sentinela, deflagrada pelo GAECO e pelo Ministério Público de Santa Catarina, investiga suspeitas relacionadas a contratos públicos de segurança, limpeza e outros serviços firmados pelo município entre 2021 e 2024.

O período corresponde à administração do então prefeito Mário Hildebrandt.

E existe um detalhe que torna o caso ainda mais sensível: entre os contratos investigados está uma contratação emergencial de segurança para escolas municipais realizada depois do ataque ao CEI Cantinho Bom Pastor, em abril de 2023, quando quatro crianças foram assassinadas.

O contrato ultrapassou R$ 9 milhões.


Um contrato emergencial em meio ao trauma


OPERAÇÃO SENTINELA: O CONTRATO CRIADO PARA PROTEGER CRIANÇAS QUE VIROU ALVO DO GAECO
Creche Cantinho Bom Pastor, em Blumenau (Foto: Reprodução).

Depois da tragédia, a pressão por respostas foi imediata.

Pais queriam segurança. Professores queriam proteção. A comunidade exigia providências.

A Prefeitura precisou ampliar a vigilância nas unidades educacionais.

Foi nesse cenário de emergência que ocorreu a contratação posteriormente analisada pelo GAECO.

Segundo o Ministério Público, a investigação apura a possibilidade de que informações sigilosas relacionadas às propostas de empresas concorrentes tenham sido compartilhadas indevidamente, permitindo que uma empresa apresentasse uma proposta calculada para superar as demais.

Se confirmada pela Justiça, a suspeita significa algo extremamente grave: um procedimento criado para proteger escolas e crianças teria sido utilizado, em tese, para favorecer interesses privados.

Mas é preciso deixar claro: essa é uma hipótese investigada pelo Ministério Público, não uma condenação.


Quem governava Blumenau?


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Mário Hildebrandt, Prefeito de Blumenau à época (Foto: Prefeitura de Blumenau).

Os fatos investigados ocorreram durante o governo de Mário Hildebrandt, prefeito de Blumenau entre 2018 e 2024.

Hildebrandt, porém, não deve ser apontado como integrante do suposto esquema sem que exista acusação formal ou decisão judicial nesse sentido.

Os contratos e procedimentos administrativos investigados pertencem ao período em que ele comandava a Prefeitura.


E quem estava na Secretaria de Educação?


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Vereador Alexandre Matias, Secretário de Educação na gestão de Mário Hildebrandt (Foto: Reprodução).

Durante a fase em que a contratação de segurança escolar ganhou importância, a Secretaria Municipal de Educação estava sob comando de Alexandre Matias.

O fato de Matias ocupar o cargo de secretário durante o período dos acontecimentos não significa que ele tenha participado de qualquer irregularidade.

A eventual responsabilidade individual de agentes públicos depende das provas reunidas na investigação e das conclusões posteriores do Ministério Público e da Justiça.


Orcali no centro das atenções do GAECO


OPERAÇÃO SENTINELA: O CONTRATO CRIADO PARA PROTEGER CRIANÇAS QUE VIROU ALVO DO GAECO
(Foto: Reprodução).

A Orcali aparece diretamente relacionada aos contratos investigados.

Segundo o MPSC, a apuração envolve suspeitas de direcionamento de licitações, combinação de preços, restrição da concorrência, pagamentos indevidos e mecanismos destinados a devolver parte dos recursos recebidos dos cofres públicos.

O caso não se resume, portanto, à discussão sobre uma empresa ter vencido uma licitação.

O que o Ministério Público investiga é a possibilidade de existência de um mecanismo organizado para manipular contratações públicas e posteriormente movimentar os recursos obtidos.


Entre os nomes apontados em documentos da investigação divulgados por veículos de imprensa estão Michael Raul Schneider, Alexandro Eduardo Fernandes, Cláudia Erdmann, Leomar Edinho Glau, Paula Vianna Botelho Zadronzny, Alfredo Vieira Ibiapina Neto, Thiago Fernandes Filomeno, Edson Luis Frances, Onor Campos Filomeno, André Ross Espezim da Silva e Lúcio Cesar Dib Botelho.

A inclusão de um nome em documento investigativo ou pedido de quebra de sigilo não significa condenação, denúncia recebida ou comprovação de crime.


Mais de R$ 75 milhões em contratos

OPERAÇÃO SENTINELA: O CONTRATO CRIADO PARA PROTEGER CRIANÇAS QUE VIROU ALVO DO GAECO
Parte do dinheiro apreendido na Operação Sentinela (Foto: GAECO/MPSC).

A dimensão financeira também chama atenção.

Os contratos da Orcali com o município envolvendo serviços de limpeza, zeladoria e vigilância ultrapassavam R$ 75 milhões, segundo informações divulgadas pela Prefeitura após a operação.

A atual administração de Egídio Ferrari decidiu não renovar contratos mantidos com a empresa e anunciou revisão dos processos relacionados aos serviços.

Isso estabelece uma linha importante na história:

os contratos investigados nasceram na administração anterior; as medidas administrativas posteriores foram tomadas durante o governo atual.


A investigação avançou

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Operação Sentinela II, deflagrada na manhã desta quarta-feira (8) (Foto: GAECO/MPSC).

E o caso não terminou na primeira operação.

Nesta quarta-feira (7), o GAECO deflagrou a Operação Sentinela II, novo desdobramento das investigações.

A nova fase apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, falso testemunho e possível obstrução das investigações.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão e realizadas prisões preventivas.

O avanço da investigação mostra que o Ministério Público ainda está tentando reconstruir toda a cadeia de acontecimentos.


A pergunta que ficou para Blumenau


O dinheiro destinado à segurança das escolas deveria ter apenas uma finalidade: proteger pessoas.

Por isso, a população tem o direito de saber:

Quem decidiu? Quem autorizou? Quem fiscalizou? Quem ganhou? Quanto foi pago? Houve direcionamento? Houve vantagem indevida? E, principalmente, alguém se aproveitou do medo provocado pela tragédia para ganhar dinheiro público?

Nenhuma dessas perguntas deve ser respondida por torcida política.

Se houve crime, os responsáveis precisam responder.

Se não houve, os investigados têm direito à defesa e à presunção de inocência.

É exatamente por isso que a investigação precisa avançar — e que documentos, contratos, depoimentos e provas precisam falar mais alto do que versões políticas.

Porque quando o dinheiro público entra em jogo, a população não pode ser obrigada a escolher entre acreditar no governo ou acreditar na oposição. Ela precisa ter acesso aos fatos.


Informações: GAECO/MPSC.

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