OKTOBERFEST BLINDADA, ESCOLAS VULNERÁVEIS: ONDE ESTÁ A PRIORIDADE DA PREFEITURA DE BLUMENAU?
Por Luiz Cunha.

Prefeitura anuncia centenas de profissionais, tecnologia de reconhecimento facial, drones, câmeras e forças policiais para proteger a festa, enquanto a segurança de escolas e CEIs continua sendo motivo de preocupação para famílias e profissionais da educação.
Blumenau está diante de uma pergunta que o prefeito Egidio Ferrari precisa responder: por que a Prefeitura consegue mobilizar uma verdadeira operação de guerra para proteger a Oktoberfest, mas a segurança das escolas e dos Centros de Educação Infantil ainda não recebe a mesma prioridade?
A comparação é inevitável.
Para os 19 dias da 41ª Oktoberfest, a Prefeitura apresenta uma estrutura de segurança que impressiona. São centenas de profissionais, centenas de câmeras, reconhecimento facial, inteligência artificial, drones, bodycams, policiais de diferentes forças, bombeiros, Defesa Civil, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Científica e sistemas tecnológicos capazes de identificar pessoas e acompanhar seus deslocamentos.
A própria Prefeitura afirma que segurança é uma prioridade da Oktoberfest.
E é justamente aí que surge o problema.
Se segurança é prioridade, por que essa mesma disposição não aparece com a mesma intensidade quando o assunto são crianças dentro das escolas e CEIs de Blumenau?
PARA A FESTA, UMA ESTRUTURA MILITARIZADA

Segundo as informações divulgadas sobre a Oktoberfest, mais de 400 canais de vídeo estarão disponíveis para monitoramento dos espaços do evento, um aumento de 20% em relação ao ano anterior.
Mais de 100 câmeras terão reconhecimento facial, enquanto tecnologias de inteligência artificial poderão localizar pessoas, acompanhar trajetos e analisar grandes volumes de imagens.
Também haverá drones, bodycams, sistemas de monitoramento e uma central de controle eletrônico.
A operação da Minister contará com 318 profissionais nos setores de segurança e monitoramento.
A Polícia Militar empregará 360 policiais, incluindo equipes especializadas como Tático, Canil, Choque, GTAM, drones, Rocam e Cavalaria.
A Polícia Civil terá 100 profissionais envolvidos na operação, enquanto a Polícia Penal disponibilizará outros 36 policiais.
Os Bombeiros Militares terão mais de 80 profissionais, além de estrutura própria e caminhão de combate exclusivo para a festa.
Somem-se a isso a Defesa Civil, Polícia Científica, sistemas de emergência, monitoramento de incêndios, sirenes de abandono de área e totens de emergência espalhados pelo parque.É uma operação gigantesca.
E ninguém está dizendo que a Oktoberfest não precisa de segurança.
Precisa. E muita.
O problema é outro: por que a mesma lógica de prioridade não é aplicada às escolas e CEIs?
360 POLICIAIS PARA A FESTA. E PARA AS ESCOLAS?
A Oktoberfest terá 360 policiais militares, distribuídos em turnos e em diferentes modalidades de policiamento.
Haverá patrulhamento a pé, motorizado, apoio aéreo, equipes especializadas, drones e monitoramento tecnológico.
Enquanto isso, pais, professores e comunidades escolares continuam cobrando respostas concretas sobre a proteção das unidades de ensino.
E essa diferença de tratamento precisa ser discutida publicamente.
Não se trata de colocar Oktoberfest contra educação.
Trata-se de perguntar ao poder público qual é a ordem de prioridade quando o dinheiro, os profissionais e a estrutura precisam ser distribuídos.
Porque uma festa dura 19 dias.
Uma criança passa praticamente o ano inteiro dentro da escola ou do CEI.
MAIS DE 400 CÂMERAS NA FESTA. E NAS ESCOLAS?
Na Oktoberfest, a Prefeitura anuncia centenas de canais de vídeo, câmeras com reconhecimento facial, drones, inteligência artificial, central de monitoramento e sistemas capazes de acompanhar pessoas em tempo real.
Há até tecnologia capaz de fazer buscas por texto nas imagens e localizar características e eventos dentro do enorme volume de gravações.
É tecnologia de ponta.
E novamente surgem as perguntas:
Quantas escolas e CEIs de Blumenau contam com uma estrutura de segurança equivalente?
Quantas unidades possuem monitoramento adequado?
Quantas têm controle de acesso efetivo?
Quantas contam com profissionais preparados para situações de emergência?
Quantas possuem uma estrutura permanente capaz de responder rapidamente a uma ameaça?
Essas são perguntas que não podem ser respondidas com vídeos promocionais, inaugurações ou discursos.
Precisam ser respondidas com números.
O DINHEIRO DA FESTA NÃO É O PROBLEMA. A PRIORIDADE É.
É importante deixar uma coisa clara: não se está afirmando que todo o dinheiro utilizado na Oktoberfest poderia simplesmente ser retirado da festa e transferido para escolas e CEIs.
Há recursos privados, patrocínios, estruturas contratadas especificamente para o evento e verbas vinculadas a diferentes finalidades. A própria Oktoberfest possui patrocinadores e parceiros comerciais, além de apoio institucional e enquadramento na Lei de Incentivo à Cultura.
Mas isso não elimina a discussão.
Muito pelo contrário.
A pergunta deveria ser:
Quanto custa toda essa gigantesca estrutura de segurança da Oktoberfest aos cofres públicos?
Quanto custa mobilizar centenas de agentes?
Quanto custa deslocar viaturas, equipamentos e estruturas?
Quanto custa toda essa operação tecnológica?
Quanto a Prefeitura investe efetivamente na segurança permanente das escolas e CEIs?
E, principalmente:
Por que não existe nas unidades educacionais uma estrutura proporcional à importância que o próprio prefeito diz dar à segurança?
ATÉ O TRANSPORTE GANHA REFORÇO
A diferença fica ainda mais evidente quando se observa a estrutura logística criada para a Oktoberfest.
Durante os 19 dias, o transporte coletivo terá mais de 945 viagens extras, entre noites, madrugadas e finais de semana.
São 125 viagens a mais do que no ano anterior.
A Prefeitura consegue organizar uma operação especial para garantir que o público chegue e saia da festa.
Consegue mobilizar forças policiais.
Consegue colocar tecnologia de ponta no parque.
Consegue ampliar equipes.
Consegue preparar planos de contingência.
Consegue instalar sistemas de emergência.
Consegue monitorar milhares de pessoas.
Então a população tem todo o direito de perguntar:
Por que não conseguimos fazer o mesmo pelas nossas crianças?
O PREFEITO PRECISA PARAR DE TRATAR SEGURANÇA COMO CENÁRIO DE FESTA
A declaração do prefeito Egidio Ferrari é especialmente significativa.
Segundo ele, o município mantém investimentos constantes em segurança porque ela seria fundamental para a experiência oferecida ao público da Oktoberfest.
Mas segurança pública não pode ser apenas parte da experiência de quem compra ingresso para uma festa.
Segurança precisa ser parte da experiência diária de uma criança que entra em uma escola municipal.
Uma família não deveria ter que esperar uma grande festa para descobrir que Blumenau consegue reunir tecnologia, policiais, câmeras, drones e equipes especializadas.
Essa estrutura precisa existir também onde estão os filhos dos trabalhadores.
IRRESPONSABILIDADE É NÃO EXPLICAR AS PRIORIDADES
O problema, portanto, não é a Oktoberfest ter segurança.
O problema é quando o poder público transmite a impressão de que consegue encontrar recursos, tecnologia, profissionais e planejamento quando existe um evento de grande visibilidade, mas não apresenta a mesma urgência para resolver problemas permanentes da cidade.
É aí que a postura do prefeito se torna irresponsável.
Irresponsável não porque a festa tenha segurança.
Mas porque um governo responsável deveria ser capaz de demonstrar que a proteção de uma criança dentro de uma escola merece, no mínimo, a mesma seriedade dedicada à proteção de um visitante dentro de um pavilhão de festa.
Não existe câmera mais importante do que outra.
Não existe reconhecimento facial mais importante do que a segurança de uma criança.
Não existe evento de 19 dias que possa ser tratado como mais urgente do que uma escola funcionando durante todo o ano.
A CIDADE PRECISA DE RESPOSTAS
A Prefeitura de Blumenau precisa abrir os números.
Quanto foi investido na segurança da Oktoberfest?
Quanto custa a operação?
Quanto foi investido na segurança das escolas e CEIs?
Quantas unidades possuem vigilância?
Quantas possuem monitoramento eletrônico?
Quantas têm controle de acesso?
Quantas contam com profissionais preparados para situações de emergência?
E qual é o cronograma para garantir segurança adequada em todas as unidades?
Essas perguntas não são ataques.
São perguntas de interesse público.
A Oktoberfest pode ter 400 canais de vídeo, mais de 100 câmeras com reconhecimento facial, centenas de profissionais, policiais especializados, drones, inteligência artificial e uma estrutura gigantesca.
Tudo isso pode ser necessário.
Mas Blumenau precisa decidir se a sua maior prioridade é proteger uma festa que dura 19 dias ou proteger crianças que frequentam escolas e CEIs durante o ano inteiro.
Porque, no fim das contas, a verdadeira prioridade de um governo não deveria ser medida pela quantidade de tecnologia que ele consegue colocar em um evento.
Deveria ser medida pela capacidade de proteger quem mais precisa.
E, nesse quesito, o prefeito Egidio Ferrari precisa explicar por que a segurança das crianças ainda parece estar atrás da segurança da Oktoberfest.














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