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COMO FUNCIONAVA A SUPOSTA RACHADINHA DE BLUMENAU

  • May 11
  • 3 min read
COMO FUNCIONAVA A SUPOSTA RACHADINHA DE BLUMENAU

Blumenau vive uma das fases mais delicadas de sua história política recente. Apenas na última semana, três operações conduzidas pelo Gaeco dentro da Prefeitura investigaram possíveis irregularidades envolvendo contratos públicos, incluindo serviços ligados à merenda e à segurança escolar. Paralelamente, as apurações sobre um suposto esquema de rachadinha na Câmara de Vereadores e a possibilidade de cassação do ex-Presidente do Legislativo, Almir Vieira (Progressistas), aumentaram ainda mais a instabilidade no cenário político da cidade.


As investigações da Polícia Civil sobre o caso das rachadinhas revelam uma série de movimentações financeiras consideradas suspeitas, além de saques em dinheiro e deslocamentos monitorados envolvendo o empresário Thiarles Reginaldo de Souza, dono da agência Tempero Propaganda Ltda., contratada pela Câmara Municipal.


De acordo com o relatório policial, parte dos recursos pagos à empresa teria retornado em espécie ao então Vereador Almir Vieira, com suposta participação de assessores vinculados ao gabinete parlamentar.


Segundo os investigadores, o monitoramento identificou encontros frequentes entre os envolvidos em datas próximas aos saques realizados por Thiarles. A análise bancária apontou retiradas fracionadas que somam R$ 109,8 mil, efetuadas entre 2 de abril e 26 de setembro de 2024, em 25 operações feitas em uma agência do Sicoob.

COMO FUNCIONAVA A SUPOSTA RACHADINHA DE BLUMENAU
Imagem: SC EM PAUTA.

A Polícia sustenta que várias dessas retiradas ocorreram em períodos coincidentes com viagens do empresário para Blumenau.


Um dos episódios citados aconteceu em 14 de junho de 2024. Conforme o relatório, veículos pertencentes a Almir Vieira, um Volvo XC60, e a Thiarles, um Ford Focus, foram vistos no estacionamento reservado da Câmara de Blumenau. Ainda segundo a investigação, apenas naquele mês o empresário teria sacado R$ 6 mil em espécie.


Outro fato destacado ocorreu em 18 de julho de 2024. O monitoramento policial aponta que o assessor Wagner Schanaider teria descido do Ford Focus de Thiarles nas proximidades da Câmara Municipal. Naquele mês, os saques atribuídos ao empresário chegaram a R$ 29,4 mil, segundo a Polícia.


Já em 24 de agosto de 2024, um sábado, Thiarles teria sido visto dirigindo um Jeep Compass até a residência de Wagner Schanaider, localizada no Condomínio dos Sagres. O relatório informa ainda que, em agosto, os saques realizados pelo empresário totalizaram R$ 12 mil.


A investigação aponta também que Thiarles esteve em Blumenau ao menos oito vezes durante o período analisado, sempre em datas consideradas compatíveis com as movimentações financeiras investigadas.


O relatório policial também detalha os contratos firmados entre a Tempero Propaganda e a Câmara de Blumenau. Conforme a investigação, a empresa recebeu cerca de R$ 3,83 milhões em recursos públicos.


Os investigadores afirmam que Wagner Schanaider atuava como gestor e fiscal do contrato da agência, condição que, segundo a Polícia, poderia ter facilitado as supostas irregularidades.


Ainda de acordo com a representação policial, parte dos pagamentos realizados à empresa teria sido repassada em dinheiro vivo ao Vereador Almir Vieira, com a participação de Thiarles e dos assessores Wagner Schanaider e Daniela Greise Altini.


Para a Polícia Civil, o grupo central do suposto esquema seria composto por Almir Vieira, sua esposa Mara Andreia Brandes Vieira, Wagner Schanaider e Daniela Greise Altini.

Os investigadores apontam que Mara teria a função de administrar valores movimentados pelo grupo, utilizando contas bancárias para operacionalizar transferências financeiras.


Conversas obtidas após quebra de sigilo telemático também integram o inquérito. Em uma das mensagens anexadas ao processo, Almir compartilha um vídeo de uma ex-servidora denunciando supostas irregularidades. Em resposta, Mara escreve: “Quando a mordomia acaba, eles jogam tudo no ventilador”.


A investigação também identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis envolvendo assessores, pessoas próximas ao grupo político e familiares de servidores comissionados.


Entre os nomes citados está Jéssica Jarisa Avi, filha de Aristeu José Avi, servidor comissionado da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes de Blumenau e apontado como indicação política de Almir Vieira.


Segundo a Polícia Civil, foram registradas 22 transferências para contas de Mara Vieira, totalizando R$ 10.259. Também foram identificados 25 repasses feitos por Brenda Eduarda Wachholz para Daniela Greise Altini, somando R$ 10.626,11. Conforme a investigação, Brenda exercia cargo comissionado ligado ao gabinete de Vieira.


Na avaliação dos investigadores, os depósitos reforçam indícios da prática conhecida como rachadinha, caracterizada pela devolução de parte dos salários de servidores comissionados.

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